quarta-feira, 9 de maio de 2012

Vida de Fotógrafo


Com frequência recebo e-mails de pessoas que desejam ter a fotografia como profissão, são jovens decidindo como irão iniciar uma carreira e também pessoas com longas histórias em outras atividades como engenharia, publicidade ou medicina, querendo jogar tudo para o alto e abraçar a apaixonante atividade da fotografia. O texto que coloco abaixo contém tudo o que costumo responder para essas pessoas.
Sobre ser fotógrafo e ser bem sucedido na profissão, pois ser é uma coisa, ganhar dinheiro é outra, existem dois pontos fundamentais, o primeiro é estudar fotografia, o segundo aprender marketing. Sem estudar fotografia você não terá como vender nada, sem saber vender não adianta ser um grande fotógrafo.
Sem estudo nestes dois campos não há caminho a ser percorrido e não haverá dinheiro, que é o objetivo de qualquer trabalho dentro do sistema capitalista.
Neste ponto em geral muitos pensam, o quanto devo estudar antes de me oferecer ao mercado? Devo comprar a câmera, fazer uns dois cursos e já sair vendendo meu trabalho? Afinal, com quantos cursos afinal se faz um fotógrafo profissional?
Imaginemos outra profissão: médico. Se você resolver ser médico terá que entrar numa faculdade, estudar todos os dias durante cinco anos ou mais, aproximadamente quatro horas diárias para ao final desse período ser um iniciante na profissão.
Não devemos crer que seja diferente com a fotografia, não há milagre que substitua tempo e estudo. Não existe caminho mais curto ou atalho. A evolução é proporcional ao esforço empregado, então se você treinar e estudar cerca de quatro horas por dia, seja na sala de uma faculdade ou por conta própria, em quatro ou cinco anos será um apenas iniciante dando os primeiros passos no mercado.
Mas hoje ninguém quer esperar tanto, imagine estudar, treinar e se preparar por tanto tempo apenas para ser fotógrafo, e ainda por cima iniciante. O que muitos fazem é comprar uma câmera, estudar uns dois ou três guias na internet, ingressar em um curso ou dois e sair dizendo que é profissional.
Infelizmente não funciona e o que espera a pessoa que pensar assim é a falência. Se quer um tempo mais curto para entrar de forma correta e bem estruturada no mercado, deverá estudar e treinar mais do que quatro horas diárias.
Já fui questionado se há um segredo para fazer boas fotos, ter clientes e ganhar dinheiro com fotografia e a melhor resposta que posso dar é que pelo menos no meu caso são cerca de quinze anos de dedicação, trabalhando e estudando uma média de oito a doze horas diárias, sem férias, décimo terceiro salário ou algo assim. Fiz uns vinte cursos dos mais variados assuntos fotográficos, além de ir a cinemas constantemente para ver como grandes cineastas lidam com a estética de seus filmes, a exposições para estudar a luz e a composição dos grandes mestres da pintura e assim por diante.
A cada vez que vou ao cinema parte do meu cérebro está em busca de entretenimento mas a outra parte está estudando luz, enquadramento, direção etc. O mesmo quando observo as páginas de uma revista ou quando visito o site de um grande fotógrafo. Até quando vou a um restaurante jantar com minha esposa fico olhando o prato que nos é servido e pensando numa forma interessante de iluminar aquela comida.
Muitos que querem entrar para o mercado da fotografia mencionam o fato desta ser uma atividade apaixonante, e de fato é, assim como a música, o teatro, a pintura e todas as formas de arte. Mas ninguém nunca poderá perder de vista que a partir do momento em que a fotografia vira profissão, todas as decisões devem ser racionais e nunca apaixonadas. Gostar do que faz é uma coisa, entender que é um negócio como qualquer outro e que precisa pagar suas contas é diferente.
Não quero desanimar ninguém, apenas penso em abrir os olhos dos iniciantes para uma realidade que é igual em qualquer profissão, do dia em que para você a fotografia for trabalho, ela será menos atraente pois incluirá a pressão de pagar contas, responder a clientes, cumprir com prazos curtíssimos, brigar por orçamentos dignos etc.
Assim é a vida de um fotógrafo, muito trabalho, estudo, treino, dedicação, e um retorno financeiro que em geral não é proporcional ao esforço empregado, mas acredite, isso é assim em qualquer profissão.
Por fim há algo que gosto de mencionar sobre a parte que muitos acham chata na fotografia: o estudo da técnica. Muitos querem se desenvolver mais no lado criativo e não tem muita paciência para a parte matemática, a compreensão profunda da luz, dos contrastes, a fotometria, a harmonia de cores. Para essas pessoas, que não querem aprender muito sobre a técnica, digo que o profissional deve ter a consciência de que se tiver muita criatividade, mas nenhuma técnica, não conseguirá executar trabalho algum por outro lado se tiver muita técnica e nenhuma criatividade, será um medíocre, mas capaz de executar grande parte dos trabalhos que pedem.
Não estou incentivando ninguém a desprezar a criatividade, muito pelo contrário, mas  em termos de mercado, muitas vezes o profissional técnico e pouco criativo consegue muito mais sucesso e retorno financeiro que o criativo, até talentoso, mas preguiçoso. Ser criativo não adianta nada se não consegue fazer o que o cliente pede.
Assim estude técnica e entenda que saber tudo sobre técnica é um pré suposto e nunca um diferencial do fotógrafo, quem não sabe tudo da técnica não é fotógrafo e a maioria daqueles que se dizem profissionais em nosso mercado não sabem o que devem.
Não sei se é isso que um iniciante quer ouvir, ou melhor, quer ler mas é o que digo a quem está querendo iniciar.
E para saber vender as fotos? Bom, este é um longo assunto, mas parte dele já tratei neste meu artigo aqui no Fotografia DG – 
Trilhos do Tram Vida de Fotógrafo

terça-feira, 8 de maio de 2012

Concursos de Fotografia: tudo o que precisa de saber




fo amador querKit fotografo
Existem para todos os gostos e possibilidades. Profissionais ou amadores; analógicos ou digitais; com câmaras elaboradas de grandes objectivas e com máquinas descartáveis; com prémios simbólicos ou monetários bastante apelativos. E sobretudo, dedicados a todos os temas imagináveis.
O mundo dos concursos de fotografia é uma óptima forma de exercitar a sua faceta de fotógrafo, seja você um fanático por fotografia, seja um mero aficionado que tem nesta actividade um passatempo entre outros. Como é óbvio, vencer é sempre algo especial, mas correndo o risco de cair no cliché, nos concursos de fotografias o que é verdadeiramente importante é participar: com isso estará a mostrar a outros interessados a sua visão única da realidade e dos temas em questão, as suas técnicas e a sua perícia.
Para que se possa dedicar aos concursos, deixamos aqui algumas informações úteis.

Os objectivos

No que diz respeito aos concursos pontuais e únicos, estão habitualmente relacionados com um evento ou uma campanha de promoção de um determinado tema. Podem ser organizados por uma marca que pretende divulgar um novo equipamento, por uma associação que pretende sensibilizar a população para um dado tema, ou por uma Câmara Municipal que tem como objectivo promover o município, o seu património ou a sua cultura.
O que importa reter é que um concurso não se encerra em si mesmo, não está limitado à beleza fotográfica mas sobretudo àquilo que esta permite dar a conhecer. E esse é um nobre papel que você poderá assumir.

Os temas

Neste capítulo não existe limitação. Os concursos são muitos e variados, e existem para todos os gostos. Uns podem ser de tema livre – nesses casos poderão estar mais direccionados para faixas etárias específicas, ou para usos concretos de equipamentos seleccionados. Outros poderão ser tão específicos como uma localização exacta, um grupo de pessoas ou uma espécie animal. Muitos concursos incluem mesmo diversas categorias, sendo as mais habituais “paisagens”, “pessoas” e “animais”.
Se por um lado, um apaixonado por fotografia acaba por se deixar conquistar por qualquer tema – fala mais alto o desafio de fotografar algo – por outro poderá seleccionar à partida um tema pelo qual sinta uma ligação mais pessoal, ou pelo qual tenha um conhecimento mais profundo. Sobretudo se for um estreante por estas andanças.

Como funciona um concurso de fotografia?

Apesar de serem às dezenas, uns regulares e outros pontuais, todos os concursos de fotografia regem-se por princípios gerais e procedimentos comuns.
  • Haverá sempre um prazo, que se pode limitar apenas à data de entrega dos trabalhos, mas que normalmente inclui uma inscrição prévia. Nesta inscrição poderá já ser pedida a informação detalhada de quantos trabalhos planeia submeter, que tipo de suporte e equipamento utilizará.

    Nalguns casos, pode também ser um requisito que as fotografias a submeter sejam tiradas num período específico – por exemplo, entre a inscrição e o fim do prazo.
  • Em relação a esses parâmetros, uma vez mais variam também com a natureza de cada concurso. Muitos dos eventos são patrocinados ou mesmo organizados por grandes marcas relacionadas com a fotografia (como é o caso da Canon, Nikon, Fujifilm e Epson). E nesses casos, o mais provável é ser obrigatório o uso de equipamento da marca organizadora, ou mesmo de um modelo e/ou lente específicos.

    Noutros casos poderão existir outro tipo de limitações, como por exemplo a obrigatoriedade de usar exclusivamente preto e branco (ou cor), ou de poder participar apenas com película ou com digital. É também importante que tenha estes aspectos em consideração, para poder escolher especificamente as condições em que se sente mais à vontade, ou aquelas em que quer trabalhar por algum motivo – porque não aproveitar um concurso deste tipo como o pretexto ideal para melhorar a sua técnica com um suporte específico?
  • Os premiados serão escolhidos por um júri que incorpora várias personalidades. Por norma inclui um ou vários representantes da entidade organizadora, mas também alguns profissionais do mundo da fotografia.

  • No que diz respeito aos vencedores propriamente ditos, existem diversos escalões. Um concurso pode premiar os melhores trabalhos seguindo o meio mais habitual de 1º, 2º e 3º classificado. Mas pode também ser mais extenso, sobretudo no caso de concursos que recebem várias centenas de inscrições. Nesses são utilizados escalões, como por exemplo do 4º ao 10º classificado, podendo premiar até ao 50º!

    Em concursos limitados a poucos trabalhos premiados, é ainda comum haver menções honrosas para trabalhos que apesar de não terem chegado à vitória, são também dotados de uma qualidade ímpar.
  • Por último, e não menos importante, existe sempre um regulamento cuja leitura atenta é tão fundamental como os trabalhos com que participará.

Os prémios

O mais habitual nos Concursos de Fotografia (sobretudo os amadores) é que os prémios sejam atribuídos em material fotográfico. Os valores podem ir desde os €500 até aos €5000, e incluem muitas vezes a exposição do ou dos trabalhos vencedores – o que nalguns casos pode até ser mais importante do que o valor material da vitória!

Principais Concursos de Fotografia em Portugal

  • Prémio Reflex

    Uma co-organização BES e Associação CAIS, o Prémio Reflex nasceu apenas em 2007, mas promete vir a tornar-se um dos principais acontecimentos na fotografia nacional. Em 2008 foi denominado ao sugestivo tema “Sons, Odores e Sabores do Mundo”, no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural. O primeiro prémio, monetário e material, ultrapassa os €1800, e inclui ainda a publicação da fotografia vencedora na capa da Revista CAIS.
  • Novo Talento FNAC Fotografia

    Um evento já habitual (que abrange ainda a literatura), a iniciativa Novos Talentos FNAC tem na sua vertente fotografia um exigente desafio para os mais ambiciosos fotógrafos. A participação implica a entrega de um portfólio com 20 a 30 fotografias, originais, em suporte papel e digital, e com tema livre. O prémio é igualmente ambicioso: uma máquina fotográfica e um computador, ambos topo de gama, assim como a exposição dos trabalhos vencedores nas FNACs nacionais e internacionais.
  • BES Revelação

    A par de outras iniciativas culturais no âmbito da fotografia do Banco Espírito Santo, como o BES Photo, o BES Fotojornalismo, Reflex e o BESart, o BES Revelação é já um dos mais importantes concursos de fotografia, já a roçar o profissionalismo.

    De tema livre, está limitado a jovens até 30 anos de idade, numa lógica de lançamento e divulgação de mais valias para o futuro da fotografia em Portugal. A recompensa passa por uma exposição numa das mais conceituadas casas de arte nacionais: nada mais nada menos que a Casa de Serralves, no Porto.
  • National Geographic International Photography Contest

    Naquele que é talvez o mais conceituado concurso de fotografia amadora do mundo, em nenhum outro caso faz tanto sentido falar em prestígio como prémio final. Composto por diversas categorias temáticas (gentes, paisagens e animais), os finalistas de cada uma recebem como prémio uma impressora, mas mais importante que isso, avançam para a participação no Concurso Internacional da National Geographic, à escala mundial. E com direito a publicação das fotos na revista, como não poderia deixar de ser (o que só por si já seria gratificação suficiente).
  • Maratona Fotográfica de Lisboa

    Um concurso com uma longa tradição – já se realiza há mais de 15 anos – consiste num formato original: uma autêntica maratona de 24 horas ao longo das quais vão sendo fornecidos outros tantos temas para os participantes fotografarem. Pretende-se com isto estimular a interpretação criativa da capital.

    O concurso tem diversas categorias (preto e branco, cores e digital), com os prémios máximos a chegarem aos €2000.
  • Concurso de Fotografia Corroios

    Já na sua 11ª edição, o Concurso de Fotografia de Corroios (Almada) é um evento destinado a fotógrafos amadores ou profissionais, sem tema definido e com um prémio de €500.
  • Concurso Nacional de Fotografia

    Realizado desde 2006, o Concurso Nacional de Fotografia é uma organização da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, destinado a jovens fotógrafos com idades entre os 15 e os 35 anos. Existem seis áreas temáticas: auto-retrato, fotojornalismo, grafismo, paisagem urbana, viagens/férias e cartaz (em que a fotografia vencedora será escolhida para o cartaz da próxima edição do evento). Existe um prémio único para cada categoria, no valor de €450 (e €250 na categoria cartaz).
Além destes concursos que acabámos de enumerar, existem dezenas de outros que providenciam desafios igualmente aliciantes, ainda que os prémios finais possam ser bem mais modestos.
Praticamente todas as Câmaras Municipais, através dos respectivos pelouros culturais, patrimoniais ou da juventude, organizam concursos que estão perfeitamente ao seu alcance – muito em voga são concursos dedicados aos centros históricos das cidades. Além desses, são também muitas as organizações culturais que também o fazem – a título de exemplo, o INATEL tem vários um pouco por todo o país.
Estes concursos pontuais podem muitas vezes pecar por falta de divulgação, mas se consultar a agenda cultural do seu município, dificilmente lhe escaparão.
Paralelamente, existem também alguns websites na Internet onde pode partilhar os seus trabalhos – destacamos por exemplo o Olhares, o Sapo Fotos (onde existem habitualmente passatempos que premeiam as melhores fotos de um dado tema) e o Canal Foto. Este último organiza frequentemente concursos temáticos, ainda que sem prémio material, mas com um outro que não é menos importante: o reconhecimento público.
Que mais pode um fotógrafo amador querer?